“A gente se apaixona toda hora mas não é como o amor. O amor é grande, bonito, demora. Pra vir e pra ir embora.”
Bem-vindos! Nos encontramos por aqui... Postarei neste blog textos, poemas e crônicas de minha autoria com temas diversos e de caráter “multi-interpretativo”. Devo me expressar, deste modo, da maneira em que a inspiração permitir. No entanto, o critério de interpretações fica a vosso sabor. Bom proveito!
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
As veredas
Conheci um certo sentimento
onde permeia o universo do teu olhar
que difere tantas coisas em meu caminho
as quais ainda não pretendo me dirigir.
Descobri nos horizontes de teu sorriso
a verdadeira e terna medida de quanto te querer.
Já que só imaginar que o perfume das rosas que tu possa mais gostar,
onde permeia o universo do teu olhar
que difere tantas coisas em meu caminho
as quais ainda não pretendo me dirigir.
Descobri nos horizontes de teu sorriso
a verdadeira e terna medida de quanto te querer.
Já que só imaginar que o perfume das rosas que tu possa mais gostar,
pode ser tão puro quanto a verdade que sai de teu lábio
ao me dizer que sente o mesmo arrepio que me vem agora,
me leva a um mundo que ainda não pude desfrutar.
Talvez me sinta tão ligado ao seu moderno querer-me
que nada impeça...
ao me dizer que sente o mesmo arrepio que me vem agora,
me leva a um mundo que ainda não pude desfrutar.
Talvez me sinta tão ligado ao seu moderno querer-me
que nada impeça...
nem a distância, nem nossa estrada rústica de chão, ou a estrada da vida, nem o cerrado, muito menos esse árido terreno, nem as veredas,
nada disso é conivente à desunião de nossas almas.
E quando me deparo com meus inquietos hábitos,
você me vem com a sombra que meu coração precisa
e me entrega, com sua voz, a calma do dia-a-dia
que corre na minha veia como se fosse minha.
E quando o vento frio da tristeza me abraça
você é o calor que sinto na alegria do seu olhar.
E quando as mãos da solidão me cumprimentam
você acena pra mim
lá no fim do arco-íris que desenhei em minha varanda.
Eu sempre espero suas mãos chegarem bem perto
embora sejam indecisas e frágeis.
Frágeis são meus olhos quando não te vêem
mas felizes quando escuto sua voz
e constroem uma vontade quase irresistível
de trazê-la todo dia para mim.
Breno Atamai
Despertador
Acordo cedo!
... não tão cedo.
Há medo
![]() |
Embora haja luz,
Segredo...
Uma janela relaciona
O “Lá de fora” com o que
Permeia a “enrustidez” daqui de dentro.
Paredes separam calor e luz
E um sonolento,
leve e despretensioso movimento,
Fisicamente apresenta-se devagar, lentamente rumo
aos futuros passos despreocupados com a peleja do dia a dia
aos futuros passos despreocupados com a peleja do dia a dia
A qual me entrega à nostalgia
Dos meus tempos infantis.
A realidade é paralela a dimensão sonar.
Um teimoso despertar
contrai os músculos
E toda a fantásticas reação do que amanhece
Permanece até que o que é verdade se apresenta e, Esclarece:
Acorda!
É hora de voltar.
Breno Atamai
Não mais é cedo
Agora, exatamente nessa instantaneidade,
Proporcionalmente e minuciosamente,
Nossas idéias decaem
Perdem toda noção de partilha
Compactadamente sem mudanças
Ao fim de cada propagação
Cadê nossas pilhas de nervos?
Onde está nossa mão fechada,
nossos punhos de raiva?
Cadê toda ternura?
Onde está nosso amor, nossa “Ave Maria?”
Já não entendemos a lógica...
A exatidão da matemática,
A sonoridade da música,
A fé do Papa,
A quietação do silêncio,
A imensidão dos céus.
Juntos formamos o sinal da perda
Todos sem objetivos, vulneráveis ao derradeiro
Pendentes a caridade própria.
Estamos eqüidistantes em nossa própria comoção.
Enquanto lá fora corremos
As escadarias esperam por mudanças
Por que projetar protestos contra o que seremos?
É o mesmo que dizer aos surdos
O que os cegos não enxergam em algumas circunstancias.
Somos a realidade do pesadelo de alguns séculos atrás
Somos todos unificados perdidos
Numa estrada longa, num porto sem cais.
Esse grito que é ouvido ao longe
Corresponde ao medo, a dor, ao desespero
Por tudo, por nada, por nada a quem se esconde
Do chão da vida no espelho.
Todos olhamos para os cinco minutos futuros
E dá medo viver no obscuro.
Tudo é incerto, tudo é deduzido, nada afirmado.
Compartilhamos a instabilidade do medo
Durante a corrida por oxigênio.
Breno Atamai
A espera
Existe uma espera.
para uns, curta...
para outros uma longa espera
Quimera.
O alívio.
O suspirar profundo.
O acenar com mãos confortadas
As quais sempre atadas
Dizendo “olá” a um novo mundo.
Esperam imediata libertação, canção de paz,
fim dos “ais” inúmeros.
Esperam ludibriar do pretérito
Ou preferem sequer recordar.
Esperam que haja amor
E que seja gratuito.
Esperam o infinito
Que não precise de apelos.
Gritos de regozijo
E não de desesperos.
Existe uma espera
Cansativa espera
A espera de novos dias
Novas vidas.
Onde todos os arbítrios serão livres
E todas as verdades serão lícitas
Onde não se dirá adeus
E os sonhos seus serão meus.
Existe essa ânsia e,
pudera...
Que deste “hoje” seja o fim.
E esperam que enfim,
não seja mais espera.
Breno Atamai
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Um menino
Sentado numa cadeira de minha varanda, vi...
Um menino,
como um daqueles em que nos livros li,
pequenino...
Corria – pés descalços
Seus largos passos e, suas despreocupadas cantigas
Uma daquelas antigas...
Ele saltava...
Sim! Assim como uma criança pequena.
Os braços abertos como se pretendesse voar.
Cantava em tom de gritos sem sequer imaginar
naquilo algum problema.
Ele parecia não entender nada sobre tempo
Talvez não planejou a hora de sair
ou nem soubesse o quanto ia ficar...
ele tinha tudo que queria naquele momento.
Era de manhã
O sol mal aquecia, pouco podia brilhar
E toda criança que se preza aparece pra brincar
Mas foi justamente aquele menino...
descalço e pequenino
que na hora vi passar.
Vi muito mais do que um menino...
Mas era somente um menino tão ingênuo
puro, tão pequeno...
mal sabe ele do veneno que é esse mundo duro...
mas eu o vi.
Eu o vi correr descalço.
Talvez ele não quisesse seu calçado
Talvez não tivesse...
mas não corria calado
E não havia dor na sua cantiga.
Não havia fome na sua corrida.
Seu olhar, seu grito,
lá no infinito
Não parecia se preocupar em voltar...
seja lá como, onde for seu lugar de morar.
Seus braçinhos abertos não pareciam carentes
Esperando o abraço de sua mãe, longe...
Onde?
Não consegui enxergar
Não naquele menino.
naquele momento
Não sei se vi o que enxerguei.
Não sei se olhei
com meus olhos de todo dia
talvez seja do mundo mais uma anomalia
Não sei se a ciranda...
será que fiquei sentado por muito tempo em minha varanda?
Breno Atamai
Tempo Inútil
Agora que eu parei para pensar,
percebo onde foi parar todo aquele tempo
em que eu só pensei e deixei passar.
Enquanto o tempo insistia em me levar,
eu só calava e tudo passava tão depressa
que agora tudo é distante
mas eu continuo no mesmo lugar.
Agora que eu parei para pensar,
reencontro aquela chance de mostrar
para todos que eu sendo eu mesmo,
seria muito mais fácil ser mais forte, mais livre,
mais eu, mesmo com o “meu eu” não estando
forte, livre, contente com o por que do “meu eu”.
Agora que eu parei para pensar,
chorei por pensar que desperdicei
minhas mão tão ágeis
em tempos tão improváveis
cumprimentando outras tão frágeis
quando já perto do fim,
movimento brusco chocaram-se
contra a parede rústica e choraram também sangrando.
Agora que eu parei para pensar,
lembrei num instante que vaguei vulnerável
pelo espaço vazio do meu proveito.
Aproveitei tanto do tempo vazio;
ignorando vozes leais,
considerando farsas reais,
que o vazio se preencheu
com verdades cortantes
então mais uma vez eu calei.
Agora que eu parei para pensar,
concordo com você
apesar de saber que te olhando de perto
você nem é normal como eu também não sou.
Me dissestes que minhas mão são ágeis
porque eu as fiz ágeis;
que as outras são frágeis
Porque eu as vi frágeis;
que minhas mãos sangraram porque chorei.
Mas se talvez não chorasse, sangraria essa, outra e mais outra vez.
Agora que eu parei para pensar,
vi todo tempo em mãos vazias.
Lutas desisti, sonhos atrasei, minhas mãos desperdicei.
E o tempo corre...
Porque agora que eu parei para pensar,
percebo o quanto foi inútil ter parado aqui para pensar.
Breno Atamai
Assinar:
Postagens (Atom)





